Histórias e origem dos Bijagós

O arquipélago dos Bijagós, composto por cinquenta e três ilhas, ilhéus e ilhotas, está situado entre 100 45´ e 110 35´ de latitude norte e 150 35´ e 160 30´ de longitude oeste, na costa ocidental da Guiné-Bissau, no oceano atlântico. As dezanove (19) ilhas – Bubaque, Ganogo, Meneg, Orangozinho, Rubane, Sogá, Orango-Grande, Uno, Uracane, Eguba, Canhabaque, Formosa, Ponta, Maio, Caravela, Caraxe, Unhocomo, Unhocomozinho e Galinhas. São habitadas por cerca de 15.000 pessoas chamadas Bijagós em língua portuguesa, Após independência de 23 de Setembro de 1973 foi dividido em três sectores com funções administrativas: Bolama, Bubaque e Caravela (posteriormente o sector de Caravela foi dividido em dois, Uno e caravela), pertencentes à Região de Bolama/Bijagós, com capital em Bolama, na ilha do mesmo nome.

O primeiro registo referente ao povo Bijagós data de segunda metade do século XV. De facto no mapa do italiano Gracioso Benincassa (1471) estão desenhadas algumas ilhas chamadas nessa época Ussamansa, Buamo e Buauo que tinham sido descobertas catorze anos atrás, em 1457, pelo navegador Veneziano Alvise de Ca`Damsto, durante a sua segunda viagem a costa ocidental africana, acompanhado pelo navegador Genovês Uso de Mare. A descrição das ilhas foi pela primeira vez encontrada num manuscrito italiano do século XV.

No tratado breve dos rios da Guiné, escrito em 1594 pelo capitão de armada André Álvares d`Almada, Luigi Scantamburlo cita (Silveira, 1946), os Bijagós eram descritos como hostis e guerreiros continuamente em luta não só em relacção ao povo vizinho os Beafadas, mas também entre si, umas ilhas contra outras. De Buauo ou ilha de infante (P.), poderiam ter estado ligados ao continente numa época remota. Para ele o isolamento deste povo em relacção aos outros da costa da Guiné constituiria a principal causa das diferenças entre língua falada no arquipélago, a dos Brames e dos Beafadas, assim como outros povos do interior da guiné.

A origem do povo Bijagós é ainda uma questão em aberta. Ao longo dos séculos, diferentes autores tentaram formular várias hipóteses registadas cronologicamente de seguinte forma:

Segundo Scantamburlo, no século XVIII – entre vários autores durante este século mencionaram o povo Bijagó, encontram-se Frei André de Faro, em 1664 Scantamburlo cita: (Silveira 1945); De La Croix (1668) e Francisco de Lemos Coelho.

Foi Coelho quem tentou encontrar uma resposta para a origem dos Bijagós (Academia Portuguesa de Histórias, 1953). Segundo este mercador e viajante, que teve as oportunidades de se deslocar várias vezes ao arquipélago, os Bijagós teriam originariamente ocupado o continente, até que os Beafadas os expulsaram e forçaram-nas a procurar refúgio nas ilhas. Seria esta razão pela qual estes dois povos estariam continuamente em guerras um com o outro, tendo os Bijagós na altura tomado vantagem sobre os seus anteriores conquistadores.

Na Ilha Roxa (actual Canhabaque), foi à primeira ilha a ser habitada.

Durante o século XVIII, diferentes navegadores da Europa, chegaram ao arquipélago, procurando estabelecer-se. Entre eles encontravam-se os navegadores franceses Mr. Brue, cuja viagem no principio do século relatada pelo padre Jean Baptiste Labat contem muitas informações sobre o povo «Bissagost» (Labat, 1728), e a de M. Le Marechal de Castries, em 1784 relatada por Golbery (1802), que sugeria a ilha de Bolama como melhor lugar para o estabelecimento dos Franceses. Foi, contudo um navegador Inglês o capitão Philip Beaver quem primeiro tentou em 1792 que os europeus se fixassem na parte nordeste da ilha de Bolama, com cerca de duas centenas de pessoas (Beaver, 1968). Tentou com sucesso negociar a posse da ilha, pelo Governo Britânico, com os chefes Jalorem e Bellchore, de Canhabaque. Após dezassete anos de domínio, foi forçado a abandoná-la, devido ao alto índice de mortalidade entre os seus companheiros, provocados pelos contínuos combates com os «Bijuga de Canabac». Segundo relato de Beaver, sabemos que os Bijagós estiveram sempre em guerras com os Beafadas, pelo que houve nenhum caso conhecido em que tenham guerreado entre ilhéus (1968: 340).

No século XIX – depois de tentativa de Beaver em colonizar a ilha de Bolama, outros navegadores ingleses, incluindo o capitão Owen visitaram o arquipélago no inicio do século (Owen, 1833), e segundo Edward Stallibrass (1899), entre 1826 e 1846 vários oficiais britânicos fizeram uma inspeção cuidadosa do arquipélago, com intuito de começarem a fixar. Contudo , em 1870, o interesse britânico pelas ilhas terminou com o reconhecimento por parte do presidente Ulisses Grant dos Estados Unidos de América, dos anteriores direitos dos portugueses sobre o arquipélago.

Para saber, nem através das descrições dos Britânicos, nem das dos Franceses se podem descobrir a origem dos povos Bijagós, mas sim através dos portugueses podemos ter mais informações sobre o assunto. Em 1882, M. M. Barros, um padre nativo da Guiné na altura portuguesa, deu novas explicações sobre a origem deste povo do litoral da guiné, segundo ele, os Bujagos ou Sinjás como lhes chamavam na altura, eram os escravos provenientes das diversas regiões, incluindo no tráfico de Guinála, que conseguiram libertar-se deles e procurar refúgio nas ilhas Bijagós. Perseguidos pelos seus donos até as mais longínquas ilhas de Orango e Caraxe, encontraram finalmente a coragem para combater os seus opressores, os Beafadas. Hoje em dia os Bijagós são descendentes de cruzamentos com os Papeis e a sua cultura foi influenciada por um tipo de vida guerreira, com uma fé profunda na transmigração das almas.

No século XX – Os escritores modernos que estudaram o povo Bijagó mostraram um particular interesse pelas suas características invulgares e de índole mitológica, estes estudos dizem que o povo Bijagó tem mulheres como chefes nalgumas ilhas e que tiverem contactos com povos remotos da Etiópia, da Fenícia e do Egipto (Pereira e Simões: 1914 e 1935 respectivamente).

Segundo Scantamburlo (1991), vale à pena observar que aquilo que os primeiros autores atribuíam à crueldade e barbárie dos Bijagós, atribui-se agora a semelhança mitológicas e pouco aprofundadas com outros povos antigos. E isto por quê? Porque abordando o povo Bijagó, segundo esta tendência comparativa, é muito mais fácil explicar a sua origem, alguns traços invulgares do seu comportamento e estrutura social. Para os autores que tiverem oportunidade de tratar directamente com eles, os Bijagós aparentam ser um povo original, inventivo, pacífico e independente, cuja crueldade para os negociantes estrangeiros era a maneira que tinham para se defenderem de invasões externas.

Os aspectos da sua estrutura sociocultural muitas vezes tão diferentes dos de outros povos da costa da Guiné, podiam ser mais bem entendidos pela sua capacidade de adaptação ao meio ambiente do arquipélago. Posteriormente os Bijagós aprenderam como tirar partido dos diferentes acontecimentos históricos ocorridos na África Ocidental, nos últimos dez séculos, primeiro com os impérios africanos e depois, no século XVI, com o comercio de escravos e com as actividades coloniais.

Se formos ver, na realidade os Bijagós teriam habitado a zona continental, mas, as suas origens advêm de vários grupos étnico-continental como podemos verificar nos escritos de alguns autores como o viajante Adolf Bernartzik, que visitou o arquipélago em 1928 (Bernartzik, 1959), observou que os habitantes de muitas ilhas diferentes apareciam como um único povo que tinha emigrado do continente para o arquipélago pelas razões desconhecidas.

Hoje em dia, uma teoria comum explica os movimentos dos chamados grupo de povos atlântico-continental (Bijagós, Landumas, Balantas, Djolas[1], Baiotes, Papeis, Nalus, Tandas e Konianguis), em direcção à costa da Guiné, pelas migrações para a parte ocidental da África do chamado grupo de povo sudanês como (Fulas, Mandingas e Soninkés), durante os séculos XIII e XV (Maclaud, 1906).

Nos últimos sessenta anos, três autores portugueses tentaram descrever alguns aspectos da vida e cultura do povo Bijagó. Carvalho Vieigas (1937), José Mendes Moreira (1946) e Augusto Santos Lima (1947), que forneceram novas informações sobre a origem deste povo recolhido principalmente da tradição oral. Segundo Vieigas, que escreveu no interesse do chefe militar português, Marques Duarte, os Bijagós são os descendentes dos Tandas da região de Conhangui, na Guiné Conakry. Primeiro teriam fugido para a região de Cacine por causa da oposição e das ameaças dos Fulas e posteriormente ter-se-iam encaminhado para o arquipélago devido à pressão dos Beafadas.

Mendes Moreira diz que os Bijagós são originários da Guiné-Bissau (como os Felupes, Manjacos, Balantas e Papeis) e que chegaram ao arquipélago em tempos muito antigos, sem no entanto adiantar mais informações que explicam de formas profundas a sustentabilidade de origem do povo em causa.

Enquanto que o Augusto Lima outrora administrador português do arquipélago, propôs duas soluções para origem dos Bijagós:

Em primeiro lugar pareceram-lhe ser um povo não muito diferente de outros do grupo atlântico-ocidental da Guiné-Bissau.

Em segundo lugar, lidando com eles era possível falar de sociedades diferentes com tradições diferentes, somente de ilha para ilha. Mas também não só de ilha para ilha, mas, dentro da mesma ilha, por outras palavras, há diferenças geralmente ligeiras entre as tabancas que compõe a mesma ilha.

Este escritor coloca estas duas observações muito próximas de Carvalho Vieigas, que considerava o povo Bijagó dividido em quatro grupos distintos: O de Canhabaque, originários de Conhangui, na Guiné-Conakry e de Bubaque –Sogá –Galinhas, originários de Quinará ocupado agora pelos Beafadas; o de Orango Grande –Orangozinho –Ganogo –Meneg –Uno –Uracane –Eguba –Formosa –Unhocomo – Unhocomozinho, originários de Bandim (ocupado agora pelos papeis e por fim o de Caraxe – Caravela –Ponta –Maio), originário de Biombo e Pexice (ocupado pelos Papeis e Manjacos, respectivamente) (Vieigas, 1936-1940).

Segundo a opinião de Teixeira da Mota em 1974, alguns grupos de povos, os Conhanguis, os Tandas, os Badjarancas, os Beafadas e os Bijagós, estariam fixados na costa da Guiné, antes da chegada dos Mandingas e mesmo antes da chegada dos europeus. Outro elemento muito importante para compreender a origem dos Bijagós é a sua crença, reconhecida já pelo Bernartzik de que pertencem um mesmo povo com os mesmos ancestrais mitológico. O que quer dizer que ele reconhece a ligação do povo Bijagó aos ancestrais mitológico (B. Horaga, Hogwane, Hominka e Horakuma), embora noutras ilhas como por exemplo, na Ilha de Caraxe e Caravela têm mais outras interpretações relactivamente ao assunto, donde tem por além de Horaga, Hogwane, Hominka e Horakuma têm a mais…

As tradições diferentes e as diferenças que encontramos na sua linguagem normal são insuficientes para apoiarem a teoria de diferentes origens para os vários grupos.

As variantes linguísticas e cultural podem ser mais bem explicadas através de diferentes contactos feitos pelas tabancas de uma ilha, durante os séculos passados.

Mas também é de reconhecer que os Bijagós, durante a sua longa história no arquipélago, mantiveram relacções estreita com umas ilhas do que com outras, o que pode explicar o motivo por que podemos considerar cinco grupos principais, de acordo com as semelhanças de traços culturais e linguisticos:

Canhabaque e Bubaque

Sogá e Ilha de Galinhas

Orangos, Oracane

Formosa, Caravela e Caraxe

Uno, Honcomos.

O que não implica necessariamente qualquer diferença primordial na sua origem.

Pois é notório que o bloco que constitui as ilhas de Bubaque e Canhabaque tem pouca diferença no léxico e nas formas de interpretar o mundo Bijagó de formas que nem sempre se nota que um ou outro é duma ilha ou doutra, mas, na realidade podemos aceitar a diferença nas cerimónias de iniciação de fanado assim como nas cerimónias religiosas, embora mais se identificam. Enquanto o bloco de ilhas de Formosa, Caravela, Caraxe, Tchedengha assim como Ghago e ou outras ilhas adjacentes se identificam pelo mesmo traços culturais e de cerimónias tanto religiosos como de iniciação embora nota-se uma ligeira diferença.

Apesar de tantos contactos com os povos de diferentes ilhas, como a questão da originalidade do povo Bijagó pelos escritores de diferentes originalidades e nacionalidades, ninguém deu uma explicação concludente e convergente de como é a origem do povo em questão. Entre os interlocutores, um me tinha dito que nasceram e viram uma cadeira (B. Nepatsh) e o respectivo Orebok (Irã ou guardião da tabanca e consequentemente da ilha). (Scantamburlo. 1991) Da mesma maneira os Bijagós têm muito pouca informações sobre como começou o mundo, explicando segundo as suas interpretações cosmológicas, mas de formas diferentes de boca a boca e de Tabanca para outra e ainda de ilha para ilha. Mas apesar de tudo algo semelhante se consegue permanecer entre eles como ponto de comum embora com um desvio considerável.

Histórias nos disse que o primeiro ser humano nasceu na ilha de Orango-Grande, pelo que tudo alí começou contrariando Francisco de Lemos Coelho que dizia que a primeira ilha habitada foi a ilha de Canhabaque.

Era uma mulher cujo nome não se sabe ao certo, mas depois, o nome foi posto à mãe pelo próprio filho quando dirigia enquanto jazia desesperado e nú na beira do mar, a palavra à mãe dizendo-lhe

« B. Má-ria» querendo dizer com essa palavra «Leva-me» dando origem ao nome Maria.

Essa Maria teve quatro filhos, cujos nomes são: Horaga, Hogwane, Hominka e Horakuma. Como já dizíamos, que são os quatro ancestrais mitológicos de quatro clãs matrilineares (Cr. Djorson). A maioria senão todos os Bijagós estão de acordo com estas tradições, embora com diversidades de opiniões quando se pede mais detalhadas e pormenorizadas explicações sobre o assunto. Daí é que os Bijagós podem estar de acordo com a bíblia no que refere a mãe do Cristo Jesus que também responde pelo nome de Maria.

Segundo Barros, Scantamburlo gostaria de acrescentar que segundo a tradição e histórias familiares os Bijagós são originários de região de Buba no continente, e as primeiras ilhas a serem habitadas de forma cronológica podemos citar a ilha de Canhabaque, Orango, Uno, Bubaque, Formosa e Caravela.

Inicialmente o arquipélago dos Bijagós era ocupado pelos Bijagós, e nessa altura o Orebok estava permanentemente na Candjanghô camoto realizando coisas maravilhosas. O que não mais acontecem devido à presença doutros povos nas ilhas Bijagós segundo as explicações, outros povos vindos de continente interferem com as suas actividades e afectando adversamente as suas relacções como o espírito de Irã.

Numa pesquisa feita Julho de 1997 até Novembro de 2010, na região de Cacheu concretamente nas povoações de Varela mais precisamente nas comunas de Budjoe, Uodjock e Budjugol e Sukudjak, Ernesto Djata tinha fornecido informações de que os actuais Bijagós tinhas pertencido a tabanca de Budjoe e que tinha migrados para o arquipelago nos tempos recuados tendo como objectivo procura de melhores terras de cultivos de arroz, milho, nhames, e outros produtos para a subsistência. Também as questões de protecçao contra os invasores que sistematicamente combatiam-nos na região continental essa migração a procura de terras cultiváveis de segurança, foram fixar nas ilhas Bijagós e hoje o destino lhes separam através do mar. Mas na realidade pertencem a tabanca de Budjoe. As informações completadas por Donist, que disse os Bijagós, segundo as histórias que os mais velhos lhes fornecem, são os irmãos mais íntimos dos Felupes de maneira que só o destino lhes separou.

Numa outra perspectiva de como conectar os Felupes com a originalidade dos Bijagós, seria muito importante explorar as realidades dos dois povos no que respeita as cerimónias de iniciação de fanado assim como fúnebres e culturais.

Num contacto oral com um dos dançarinos de “Konkon”, que dizia que os seus ancestrais lhes historiavam de que os Bijagós não são separáveis dos Felupes, até porque até na altura isto é, no ano 2010, havia cerimonónias que os Felupes faziam só com a presença dos Bijagós das ilhas de Caraxe e Caravela, mostrando os lugares de cultos religiosos e cerimoniais que os Bijagós participavam nas cerimónias com intuito de fazer desatar as cerimónias segundo as suas realidades. Com todos os métodos da pesquisa se chegou a tabanca que se chama Wodjok e Budjugol onde era segundo as informações as tabancas dos Bijagós.

Ainda como testimunhas reais e vivas da pertença dos Bijagós às tabancas de wodjok, Budjoi, Budjugal e Sukudjak, vejamos os locais de culto religioso e de iniciação que hoje em dia os Felupes freqüentam mas com a realização previa de cerimônias pelos chefes Bijagós. Mas com todas essas informações, qual é a razão de os Bijagós terem pronuncias lingüísticas diferentes?

Talvez se pode encontrar a razão quando optamos pela corrente que diz os Bijagós são originários de região de Conhangui nas circunscrições da Republica da Guinée. Pois com isso os Bijagós podem não ter a única proveniência, outros podem ser na realidade aparentados com os Felupes e outros com os Beafadas como defendem outros autores.

Tomando em conta as historias em borá não escritas e passadas de boca a boca pelos nossos mais velhos, com todo rigor e compilação séria, uma analise feita partindo de recolhas de histórias sobre a origem do povo Bijagó, os mais velhos embora sem formação acadêmica como se costuma dizer, sabem um pouco da historias sobre tudo da suas origens.

Atenção quando se diz Djolas, está-se a referir os Felupes, são chamados Diolas na lingua Wolof de Sénégal.

Ser humano neste caso, o Bijagó

Caba de irã da terra

Konkon é uma forma de dança da etnia Felupe que geralmente é reservada a camada jovem, mas nao duma forma exclusiva, o que quer dizer que não só mas sim os mais velhos tambem podem participar nesse tipo de dança.